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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Os Impasses do Catolicismo do Século XXI

   No dia 11 de Fevereiro foi veiculada uma notícia que não se ouvia há aproximadamente 600 anos: a renúncia do papa. Em seu discurso, o até então papa Bento XVI afirmou que o motivo da sua ação seria o desgaste físico e mental devido a sua idade já avançada, mas há controvérsias, uma vez que a Igreja Católica passa por uma crise, que envolve polêmicas de corrupção, pedofilia e assuntos de pluralidade das crenças e costumes do mundo moderno.
   Os motivos de ordem pessoal, alegados por Bento XVI, embora possam ser relevantes fatores da abstenção ao cargo, não são de fato o cerne na polêmica. Revelam, isso sim, o quanto permanece firme a necessidade da Igreja de ocultar informações e opiniões consideradas de grande relevância atualmente.
   A crise da Cristandade Católica é uma delas, um fator de suma importância, em virtude de uma tensão dialética representada, por um lado, pelos conservadores, que defendem uma Instituição a qual destaca seus valores e costumes, e, pelo outro, os “progressistas”, os quais questionam a Santa Sé, por defenderem e serem favoráveis às exigências do mundo moderno para que não haja perda de fiéis.
   Nessa dialética, a questão do poder papal fica fragilizada na medida em que a sociedade moderna não é mais a sociedade arcaica em que o Catolicismo, ainda no século XXI, está moldado. Temas e debates sobre o casamento gay, corrupção na igreja e pedofilia praticada por padres, vêm à tona no Vaticano através do questionamento da sociedade, em especial pelos fiéis e pelo próprio Conclave, os quais exigem que novas medidas sejam adotadas. A pressão sobre o papa nessa situação é inevitável e potencializada, já que Joseph Ratzinger é sabidamente conservador e era o Pontifex Maximus do Clérigo, isto é, estava no cargo de maior influência da Igreja, de modo que as decisões relativas à Instituição partiam dele.
   Um exemplo dessa divergência foi a questão da camisinha, em que o conservadorismo da igreja pregava a anátema do seu uso, opondo-se ao lado modernista da Igreja Romana, que por sua vez, o aprovava. Outro exemplo que vale ressaltar foi o desejo de Ratzinger em orar em uma única língua –o latim-, o qual não vingou, pois sofreu forte oposição da ala “esquerdista” Romana, com efeito de restringir a religião Católica, a uma elite de um pequeno grupo enquanto mais de um bilhão de fiéis de centenas de línguas em milhares de dioceses seriam excluídos.
   Com isso, fica claro o real significado do que está por trás da abstenção papal e o grande impasse que a Igreja Católica enfrenta com decisões conservadoras em um mundo onde a diversidade é cada vez mais presente.

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