Os motivos de ordem pessoal, alegados por Bento XVI, embora
possam ser relevantes fatores da abstenção ao cargo, não são de fato o cerne na
polêmica. Revelam, isso sim, o quanto permanece firme a necessidade da Igreja
de ocultar informações e opiniões consideradas de grande relevância atualmente.
A crise da Cristandade Católica é uma delas, um fator de
suma importância, em virtude de uma tensão dialética representada, por um lado, pelos conservadores, que defendem uma Instituição a qual destaca seus valores e
costumes, e, pelo outro, os “progressistas”, os quais questionam a Santa Sé,
por defenderem e serem favoráveis às exigências do mundo moderno para que não
haja perda de fiéis.
Um exemplo dessa divergência foi a questão da camisinha, em
que o conservadorismo da igreja pregava a anátema do seu uso, opondo-se ao lado
modernista da Igreja Romana, que por sua vez, o aprovava. Outro exemplo que
vale ressaltar foi o desejo de Ratzinger em orar em uma única língua –o latim-,
o qual não vingou, pois sofreu forte oposição da ala “esquerdista” Romana, com
efeito de restringir a religião Católica, a uma elite de um pequeno grupo
enquanto mais de um bilhão de fiéis de centenas de línguas em milhares de
dioceses seriam excluídos.
Com isso, fica claro o real significado do que está por trás
da abstenção papal e o grande impasse que a Igreja Católica enfrenta com
decisões conservadoras em um mundo onde a diversidade é cada vez mais presente.








0 comentários:
Postar um comentário